A Era Vargas (1930-1945) é o período de 15 anos em que Getúlio Vargas governou o Brasil de forma ininterrupta. Foi um tempo de grandes mudanças: o Brasil deixou de ser um país puramente agrário para se tornar industrial, e as leis trabalhistas que conhecemos hoje nasceram aqui.
O período é dividido em três fases principais:
Vargas chegou ao poder através da Revolução de 1930, derrubando a República Velha e impedindo a posse de Júlio Prestes.
Centralização: Getúlio dissolveu o Congresso e substituiu governadores por interventores de sua confiança.
Revolução Constitucionalista de 1932: São Paulo se revoltou contra Vargas, exigindo uma nova Constituição. Embora os paulistas tenham perdido militarmente, eles venceram politicamente, pois Vargas convocou eleições para a Assembleia Constituinte.
Avanços: Criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio.
Com a nova Constituição de 1934, Vargas foi eleito presidente indiretamente pelo Congresso.
Novidades: Instituição do voto secreto, voto feminino e a Justiça Eleitoral.
Polarização Política: Surgiram dois grupos opostos:
AIB (Ação Integralista Brasileira): Inspiração fascista (extrema-direita).
ANL (Aliança Nacional Libertadora): Inspiração comunista/socialista (esquerda).
Intentona Comunista (1935): Uma tentativa de golpe liderada por Luís Carlos Prestes que falhou, dando a Vargas a desculpa perfeita para endurecer o regime.
A fase ditatorial da Era Vargas. Ele deu um golpe de Estado usando o Plano Cohen (um documento falso que dizia que os comunistas iam tomar o poder).
Repressão: O Congresso foi fechado, partidos proibidos e a censura instituída pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda).
Criação da CLT (1943): Getúlio consolidou as leis trabalhistas (salário mínimo, férias, jornada de trabalho), o que lhe rendeu o apelido de "Pai dos Pobres".
Nacionalismo Econômico: Criação de indústrias de base como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Vale do Rio Doce.
Segunda Guerra Mundial: O Brasil enviou a FEB (Força Expedicionária Brasileira) para lutar contra o fascismo na Itália. Isso criou uma contradição: Vargas era um ditador no Brasil lutando contra ditaduras na Europa, o que acelerou o fim do seu regime.
Com o fim da 2ª Guerra, a pressão pela democracia ficou insustentável. Vargas foi deposto por generais do Exército em 1945, marcando o fim desse longo ciclo.
Curiosidade: Vargas voltaria ao poder em 1951, mas dessa vez eleito pelo povo, governando até seu suicídio em 1954.