MAIAS, INCAS E ASTECAS
As civilizações pré-colombianas — Maias, Incas e Astecas — formaram sociedades extremamente complexas, com avanços em astronomia, arquitetura e organização política que ainda impressionam.
Maias: Habitavam a Península de Yucatán (México, Guatemala, Belize e Honduras). Não formaram um império unificado, mas sim Cidades-Estado independentes. O auge foi entre 250 d.C. e 900 d.C.
Astecas: Localizados no Vale do México (Planalto Central). Fundaram a capital Tenochtitlán (atual Cidade do México). O império dominou a região entre os séculos XIV e XVI.
Incas: Situados na região da Cordilheira dos Andes (Peru, Equador, Bolívia e Chile). O centro do império era Cuzco. Foi o maior império em extensão territorial da América pré-colombiana.
Para sobreviverem em terrenos distintos, cada povo desenvolveu uma técnica específica:
Astecas (Chinampas): Ilhas artificiais feitas de esteiras e lama sobre os lagos, permitindo várias colheitas por ano.
Incas (Terraços/Curvas de Nível): Degraus construídos nas encostas das montanhas para evitar a erosão e aproveitar a irrigação da água da chuva.
Maias (Coivara): Técnica de queima da mata para abrir clareiras para o plantio, além de sistemas de irrigação e cisternas.
Politeísmo: Todos eram politeístas e seus deuses eram ligados a elementos da natureza (Sol, Lua, Chuva, Serpente Emplumada).
Sacrifícios: Praticados em escalas diferentes. Para os Astecas, o sacrifício humano era central para manter o equilíbrio do universo e o movimento do Sol.
Teocracia: Os governantes eram vistos como figuras divinas ou representantes diretos dos deuses na Terra.
Aprofundando....
MAIAS
A civilização maia se desenvolveu na península de Yucatán, situada ao sul do atual México, e nos territórios correspondentes a Guatemala, Belize e partes de El Savador e Honduras.
Sabe-se que ao longo dessa extensa área se desenvolveram mais de cinquenta centros urbanos autônomos, que em geral reuniam santuários, palácios religiosos e bairros residenciais para o povo. Algumas dessas cidades se organizavam em reinos ou confederações, não havendo, portanto, um poder centralizado que comandasse todo o território.
Grande Templo do Jaguar, em Tikal (Guatemala). Foto: WitR / Shutterstock.com
A Civilização que Desapareceu da Noite pro Dia | A História Completa dos Maias DESCRIÇÃO: Imagine uma cidade maior que Londres no ano 700 d.C. Pirâmides brancas erguendo-se acima da selva. Cem mil pessoas. Astrônomos calculando eclipses com precisão que a Europa só alcançaria séculos depois. E então, em menos de cem anos, o silêncio absoluto. A selva devorando tudo.
Neste documentário, você vai atravessar mais de 3.000 anos de história — desde os primeiros aldeões que domesticaram o milho até o último rei maia resistindo aos espanhóis quase 200 anos depois de Colombo.
Os maias não desapareceram. Mais de 6 milhões de pessoas ainda falam suas línguas. Esta é a história deles.
Todas as imagens deste documentário foram reconstruídas com o auxílio de inteligência artificial, com base em evidências arqueológicas, pesquisas históricas e reconstruções científicas. Estas não são gravações reais, mas representações visuais criadas para ilustrar com precisão como esses eventos e cidades podem ter parecido.
A sociedade maia pode ser dividida em dois extratos sociais: os plebeus, que eram principalmente agricultores, e o grupo dominante, integrado pelos governantes, sacerdotes e os guerreiros mais importantes. A base da economia era a agricultura, sendo o milho o principal alimento cultivado, a partir da utilização de canais de irrigação.
Os maias desenvolveram uma cultura altamente sofisticada, da qual podemos destacar a arquitetura, a escultura e a pintura de murais. Também desfrutavam de amplos conhecimentos matemáticos, fazendo uso do conceito de zero centenas de anos antes dos hindus, e astronômicos, o que possibilitou a elaboração de calendários precisos. Entre os povos que habitaram a Mesoamérica, os maias foram aqueles que desenvolveram o sistema de escrita mais avançado.
Pintura Maia representando seus deuses.
Diferentemente das demais civilizações que veremos a seguir, a decadência dos maias é anterior à chegada dos europeus no continente americano. Não há consenso entre os historiadores e arqueólogos quanto as razões que levaram a isso: alguns atribuem às fortes secas que teria assolado a região e comprometido a colheita, o que teria provocado a dispersão de populações ao longo do continente, sendo as cidades abandonadas.
O desgaste do solo, resultado das formas de cultivo praticadas pelos maias, também teriam contribuído para seu declínio. Por fim, alguns estudiosos também mencionam eclosão de guerras e a disseminação de doenças.
INCAS
O mais extenso dentre os impérios americanos, os incas se estabeleceram em um território que abrangia os atuais Peru, Equador, Bolívia e partes do Chile e da Argentina, chegando a abrigar cerca de 15 milhões de pessoas. Cuzco centro administrativo e religioso do Império Inca, enquanto as demais partes do território eram divididas em províncias. Às vésperas da conquista espanhola, a cidade era habitada por aproximadamente 100 mil habitantes, incluindo o imperador e seus familiares, membros da aristocracia, soldados, artesãos e escravos.
A cidade inca de Machu Picchu foi descoberta em 1911 e é um dos sítios incas conhecidos mais bem preservados.
Como uma civilização sem alfabeto, sem roda e sem moedas construiu o maior império do hemisfério ocidental?. Conheça a história do Tawantinsuyu, o "Império das Quatro Partes do Mundo", um território de 4.000 km que superava em tamanho qualquer reino europeu de sua época.Neste vídeo, mergulhamos no mistério dos Quipus — o complexo sistema de cordas e nós que registrava censos e histórias com precisão matemática.
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Este vídeo foi reproduzido com o auxílio de Inteligência Artificial para melhor representar os acontecimentos históricos. No entanto, as representações visuais podem divergir da realidade absoluta devido às interpretações artísticas da tecnologia.
O grosso da população vivia no campo, em comunidades familiares agropastoris intituladas ayllus.
Era o trabalho desses grupos a base de sustentação de todo o Império, pois, além de se dedicarem às atividades econômicas, eram obrigados a prestar serviços ao Estado, como, por exemplo, trabalharem em obras públicas.
Os ayllus respondiam a um chefe intitulado kuraka, devendo reservar a ele um determinado número de trabalhadores que se revezavam na prestação de serviços. Esta forma de exploração do trabalho era conhecida como mita, e foi apropriada pelos espanhóis durante a colonização da América.
Os incas cultivavam uma variedade considerável de alimentos, que incluía kinoa, vagem, pimenta, abóbora, mandioca, amendoim e abacate, entre outros. A batata era basilar em sua alimentação, afinal era um dos poucos alimentos que podiam ser cultivados em regiões de altitude elevada; enquanto o milho, apesar de pouco adaptado a essas regiões, foi largamente plantado devido a uma técnica implementada pelos incas, o terraceamento.
A fim de evitar a erosão do solo em uma região de poucos espaços agricultáveis como a Cordilheira dos Andes, foram construídos terraços nas áreas muito inclinadas, formando gigantescas escadarias destinadas ao plantio, uma vez que evitavam a perda de sedimentos do solo pelo escoamento da água.
ASTECAS
Na atual cidade do México, ainda permanecem importantes vestígios da grande capital asteca, chamada Tenochtitlan, fundada em 1325. Quando os espanhóis chegaram na região, o domínio asteca estava em seu apogeu, com uma população de aproximadamente 12 milhões de habitantes, espalhada por uma área nas porções sul e central do México.
Os astecas, também chamados de mexicas, se distinguiram dos maias ao estabelecerem uma organização política mais centralizada. A partir de campanhas militares, impuseram seus sistemas tributários, comerciais e religiosos às confederações de diferentes povos que lideravam.
Os astecas tinham um soberano, o tlatoani, que assumia as autoridades religiosa, judiciária e militar. A consolidação desse império aconteceu sob o comando de Montezuma I e Montezuma II. Este último foi quem enfrentou a expedição de reconhecimento de Hérnan Cortés, comandante enviado pela Coroa espanhola em 1523.
Ao inteirar-se da presença dos espanhóis no continente, Montezuma mandou emissários solicitando que eles se retirassem, mas não foi atendido. Por sua vez, Cortés firmou alianças com povos descontentes com a dominação asteca.
Depois de alguns meses, Cortés chegou a Tenochtitlán, prendeu Montezuma e o obrigou a reconhecer os reis de Espanha como seus superiores. A partir daí, a guerra foi inevitável. Valendo-se de armas de fogo, os espanhóis travaram batalhas sangrentas contra os nativos. Cortés fechou entradas e saídas da capital e não mandou retirar os corpos dos mortos nas batalhas travadas no local, o que trouxe a disseminação de doenças letais para os indígenas. Essa atitude facilitou-lhe a vitória e, em agosto de 1521, a capital estava sob controle total dos espanhóis.
A missão do homem em geral, e mais particularmente da tribo asteca, povo d o Sol, consistia em conjurar infatigavelmente o assalto do nada. Para isso, era preciso garantir ao Sol, à Terra e a todas as divindades a "água preciosa", sem a qual a engrenagem do mundo deixaria de funcionar: o sangue humano.
Dessa noção fundamental decorrem as guerras sagradas e a prática de sacrifícios humanos. Ambas, segundo os mitos, iniciaram-se com a criação do mundo. O Sol exigia sangue: os próprios deuses lhes haviam dado o seu; e depois os homens, sob suas ordens, haviam exterminado as serpentes de nuvens do Norte. Uitzilopochtli, como vimos, nasceu guerreando. A única exceção foi Quetzalcoatl, símbolo das teocracias pacíficas da alta época clássica, que nada desejara sacrificar senão borboletas, pássaros e serpentes. Tezcatlipoca, porém, o vencera, e os deuses exigiam o seu "alimento".
A guerra, como a entendiam os astecas, tinha sem dúvida finalidades positivas para o seu estado, como a conquista de territórios, a imposição de tributos e o direito de livre-passagem para seus comerciantes. Mas devia também — ou sobretudo — garantir-lhes prisioneiros para os sacrifícios. Inclusive as batalhas eram realizadas menos com a finalidade de ferir os inimigos do que para capturá-los em maior número possível. Quando, em consequência mesma das conquistas, a paz prevaleceu em vastos territórios do México, os soberanos inventaram a "guerra florida", ou seja, torneios destinados a fornecer vítimas para os deuses.
Fonte: SOUSTELLE, Jacques. A civilização asteca. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.