A expansão marítima europeia, processo histórico ocorrido entre os séculos XV e XVIII, contribuiu para que o continente europeu superasse a crise gerada ao longo dos dois últimos séculos – XIV e XV -, provocada, principalmente pela fome, que assolava a Europa devido às mudanças climáticas, dentre outros fatores.
A crise neste período também era marcada pela violência das guerras, sendo a mais famosa, a ”Guerra dos Cem Anos”, conflito entre os ingleses e franceses que durou de 1337 a 1453.
Por outro lado, a peste negra foi outra “praga” que havia assolado o continente nesta época, provocando a morte de mais de 50 milhões de pessoas.
Então, por meio das Grandes Navegações, há uma grande expansão das atividades comerciais, contribuindo para o processo de acumulação de capitais no continente europeu.
Neste momento, inicia-se o contato comercial entre todas as partes do mundo – Europa, Ásia, África e América – tornando possível a construção de uma história em escala mundial, favorecendo a ampliação dos conhecimentos geográficos, e o contato entre diferentes culturas.
Dentre os motivos econômicos para esta expansão, podemos citar:
a necessidade de ampliar a produção de alimentos, em virtude da retomada do crescimento demográfico;
a necessidade de metais preciosos para suprir a escassez de moedas;
o rompimento do monopólio exercido pelas cidades italianas no Mediterrâneo que contribuiu para o encarecimento das mercadorias vindas do Oriente;
a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos, que encareceu ainda mais os produtos vindos do Oriente.
Formação do Estado Nacional e a centralização política: as Grandes Navegações só foram possíveis com a centralização do poder político. Nesta época, era necessária uma complexa estrutura material de navios, armas, homens e recursos financeiros.
Além disso, a aliança entre rei e burguesia possibilitou o alcance desses objetivos, tornando viável a expansão marítima.
A expansão marítima possibilita a conversão dos pagãos ao cristianismo mediante a ação missionária da Igreja Católica.
A expansão marítima também só foi possível devido aos avanços técnicos na arte aeronáutica, que se deu através do:
aprimoramento dos conhecimentos geográficos, graças ao desenvolvimento da cartografia;
desenvolvimento de instrumentos náuticos – bússola, astrolábio, sextante – e a construção de embarcações capazes de realizar viagens a longa distância, como as caravelas.
Portugal, foi a primeira nação a realizar a expansão marítima, devido ao fato do país contar com uma posição geográfica privilegiada, além de uma paz interna e a presença de uma forte burguesia mercantil.
O pioneirismo português também é explicado pela sua centralização política que, como vimos, era condição primordial para as Grandes Navegações. A formação do Estado Nacional português está relacionada à “Guerra de Reconquista”, uma luta entre cristãos e muçulmanos pela península Ibérica.
A primeira dinastia portuguesa foi a Dinastia de Borgonha (a partir de 1143), caracterizada pelo processo de expansão territorial interna, e entre os anos de 1383 e 1385, o Reino de Portugal conhece um movimento político denominado Revolução de Avis, que realiza a centralização do poder político.
Esta centralização se deu por meio da aliança entre a burguesia mercantil lusitana com o mestre da Ordem de Avis, D. João. A Dinastia de Avis é caracterizada pela expansão externa de Portugal ou como chamamos, expansão marítima.
A expansão marítima portuguesa, não interessava apenas a monarquia, que buscava seu fortalecimento, mas também a nobreza, interessada na conquista de terras e a Igreja Católica, que via a expansão como possibilidade de catequizar outros povos.
O crescimento territorial também era interesse da burguesia mercantil, desejosa de ampliar seus lucros. Confira adiante, as principais etapas da expansão de Portugal:
1415 – tomada de Ceuta, importante entreposto comercial no norte da África.
1420 – ocupação das Ilhas da Madeira e Açores no Atlântico.
1434 – chegada ao Cabo Bojador.
1445 – chegada a Cabo Verde.
1487 – Bartolomeu Dias e a transposição do Cabo das Tormentas.
1498 – Vasco da Gama atinge as Índias (Calicute).
1499 – viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil.
A Espanha seria um Estado Nacional somente em 1469, com o casamento de Isabel de Castela e Fernando de Aragão, membros de dois importantes reinos cristãos que enfrentaram os mouros na Guerra da Reconquista.
No ano de 1492, o último reduto mouro, Granada, foi conquistado pelos cristãos. Mesmo ano em que Cristóvão Colombo oferece seus serviços aos reis da Espanha, pois acreditava que navegando para o Oeste, atingiria o Oriente.
O navegante Colombo, recebeu três navios e sem saber, chegou a um novo continente, a América.
Confira a seguir, a principais etapas da expansão espanhola:
1492 – Chegada de Colombo à América.
1504 – afirmação por Américo Vespúcio de que a terra descoberta por Colombo era um novo continente.
1519 a 1522 – Fernão de Magalhães realiza a primeira viagem de circunavegação do globo.
Portugal e Espanha, buscando evitar conflitos sobre os territórios descobertos ou a descobrir, resolveram assinar em 1494, o acordo conhecido como Tratado de Tordesilhas. O tratado traçava uma linha de demarcação meridional a 370 léguas a oeste das Ilhas de Cabo Verde, dividindo os territórios.
Ao leste do meridiano, as terras pertenceriam a Portugal e ao oeste, à Espanha, o que não foi bem aceito pelas demais nações europeias.
O atraso na centralização política justifica o atraso de França, Inglaterra e Holanda na expansão marítima. Além disso, era de esperar que seus governos recusassem o reconhecimento da partilha de terras pelas nações ibéricas, de forma que iriam em busca da conquista de novos territórios.
Ademais, França e Inglaterra haviam se envolvido na Guerra dos Cem Anos e, após este longo conflito, a nação francesa, enfrentava um período de lutas no reinado de Luís XI (1461-1483). Somente após esses conflitos, sob o reino de Francisco I, a França iniciou sua expansão marítima.
Além de ter se envolvido na Guerra dos Cem Anos com a França, após essa batalha, a Inglaterra passa por uma guerra civil, a Guerra das Duas Rosas (1455-1485). Assim, apenas durante o reinado de Elizabeth I (1558-1603), que os ingleses iniciam sua expansão marítima.
A Holanda tem seu processo de centralização política atrasado por ser um feudo espanhol, posto isso, apenas após o enfraquecimento da Espanha e com o processo de sua independência, é que os Países Baixos iniciaram sua expansão marítima.
Consequências da Expansão Marítima na Europa
As Grandes Navegações contribuíram para uma radical transformação da visão da história da humanidade, houve uma ampliação do conhecimento humano sobre a geografia da Terra, e uma verdadeira Revolução Comercial a partir da unificação dos mercados europeus, asiáticos, africanos e americanos.
Confira adiante, alguns dos principais efeitos da expansão marítima:
Decadência das cidades italianas;
Mudança de eixo econômico, do mar Mediterrâneo para o oceano Atlântico;
Formação de um Sistema Colonial;
Enorme afluxo de metais para a Europa proveniente da América;
Retorno do escravismo em moldes capitalistas;
Eurocentrismo ou a hegemonia europeia sobre o mundo;
Processo de acumulação primitiva de capitais, originado na organização da formação social do capitalismo.